A forma como vivemos hoje depende da internet. Pense em como é ficar sem conexão para trabalhar. Imagine estar na rua e não conseguir sinal para fazer uma pesquisa simples. Ela tanto já faz parte das nossas vidas que mal percebemos a sua existência. No entanto, você já parou para refletir ou ler um pouco sobre a origem da internet? 

Pois é, esse é o assunto deste texto. Nele, vamos promover uma reflexão sobre a evolução da internet ao longo dos anos, mas também sobre as revoluções e transformações que ela proporcionou ou potencializou. 

O começo de tudo 

A internet surgiu em 1969, mas não da forma como conhecemos hoje. Seu objetivo era completamente diferente: a ideia era proteger a comunicação dos Estados Unidos nas guerras. Vale lembrar ainda que esse período foi marcado pela Guerra Fria, um conflito político e ideológico entre o país da América do Norte e a antiga União Soviética (parte do que deu origem à Rússia de hoje). 

A novidade descentralizaria as informações do Pentágono para evitar que possíveis ataques causassem perda de documentos importantes. Foi aí que foi criada a Arpanet, rede de conexão da DARPA, Agência de Projetos de Pesquisa Avançada dos Estados Unidos. E esse é considerado o início da internet. Nessa época, as comunicações eram divididas em pequenos pacotes com trechos dos dados, os endereços dos destinatários e informações que permitissem a remontagem da mensagem original. 

A Arpanet ganhou destaque no mundo acadêmico e no científico e, por isso, o protocolo para se comunicar com outras máquinas ou redes começou a ficar insuficiente. Então, foi desenvolvido o protocolo TCP/IP, em 1974, que respondia a um ambiente de rede de arquitetura aberta. Foi nessa época também que o nome “internet” começou a ser utilizado. Em 1985, já era a principal rede de comunicação com alcance global e, em 1987, a internet teve seu uso comercial liberado nos Estados Unidos. Vale contextualizar também que a popularização dos PCs havia começado anos antes, em 1981, pela IBM. 

Com esse rápido desenvolvimento, serviços de correio eletrônico e provedores de internet com o método antigo de dial-up (que utilizava a linha do telefone fixo) começaram a surgir. Nessa grande linha do tempo, também temos que destacar o trabalho de Tim Berners-Lee, que, em 1989, criou a linguagem HTML, e cuja equipe criou o primeiro cliente web “WorldWideWeb” (www), usado até hoje. 

Para muitos, esse fato também é um dos marcos mais importantes da história da internet, pois permitiu que várias pessoas trabalhassem juntas acessando os mesmos documentos. E isso possibilitou colocar informações ao alcance de qualquer usuário da internet. 

Foi nessa época que começaram a surgir os grandes portais, como AOL (América Online) e Yahoo. Também se popularizaram as salas de bate-papo, mensageiros instantâneos, como o ICQ (alguém aqui se lembra?), e serviços gratuitos de e-mail, como o Hotmail, assim como os serviços de busca, como o Google. 

Outros fatos marcantes:
Yahoo – 1994
Internet Explorer – 1995
Hotmail – 1996
Google – 1998

A chegada da internet no Brasil 

Assim como nos Estados Unidos e em muitos países europeus, no Brasil, a internet ganhou notoriedade conectando universidades. Por aqui, ela chegou em setembro de 1988. O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) conseguiu acesso à Bitnet utilizando uma conexão de 9.600 bits por segundo estabelecida com a Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. No mesmo ano, alguns meses depois, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) também se ligou à Bitnet, por meio de uma conexão com o Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), em Chicago. 

Outro ponto importante da história da internet no Brasil foi a criação do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), com o objetivo de disseminar informações para a sociedade, além de democratizar o acesso às redes de computadores do país. Foi ele o responsável por abrir, em 1988, a Alternex, primeira rede privada e independente das universidades para acessar a internet, principalmente para troca de e-mails. Ou seja, pode ser considerado o primeiro provedor do Brasil. 

A liberação comercial da internet só veio no fim de 1994, quando podemos afirmar que uma nova revolução teve início. Surgiram os primeiros sites de notícias, bancos, empresas. Em 1998, eram 2,1 milhões de usuários de internet. 

Outros fatos marcantes:
UOL – 1996
IG – 2000 

Quem não viveu nessa época não tem ideia de como era acessar a internet em casa. Era tirar o cabo do telefone fixo, plugar no computador e se conectar por meio do seu provedor discado. Não era um processo muito simples e ágil e, claro, a ligação podia cair, ter interferências, lentidão…Fora que receber ou fazer uma ligação no telefone fixo não era possível enquanto estava-se na internet. Além disso, para gastar menos dinheiro, muitas famílias só liberavam o acesso no período da noite e madrugada. 

Redes sociais 

A internet deu um novo salto evolutivo com o surgimento das redes sociais. Mas engana-se quem pensa que a primeira rede social bem-sucedida foi o Orkut. Lançada em 1997 e findada em 1999, a SixDegrees é considerada a primeira rede a conectar perfis de usuários e organizar grupos. Na sequência, vieram o Orkut, nascido em janeiro de 2004, e o Facebook, lançado em fevereiro do mesmo ano. 

Antes de seguirmos, vale voltar mais alguns anos para relembrarmos o lançamento do primeiro smartphone, chamado Simon, no ano 1994. Ele tinha outras funções, além do telefone, como agenda, e-mail, horário mundial. O primeiro iPhone foi lançado em 2007. Na sequência, em 2009, surgiu o WhatsApp, outros importantes marcos nessa história. 

É inegável que as redes sociais causaram, e ainda causam, muitos impactos em nossas vidas. Muito mais que criar conexões entre pessoas, os conteúdos publicados nesses locais influenciam a moda, comportamento, valores e até mesmo a política de uma nação. Com a internet, uma série de novas profissões surgiram, a forma de se trabalhar e viver mudou e setores da economia foram transformados. A pandemia de Covid-19 mostrou a importância que a internet tem em nossa sociedade e, mais que isso, permitiu a reflexão do quanto ainda pode mudar o mundo à nossa volta. 

Além disso, também vale ressaltar a importância de novas legislações para proteger o direito e a privacidade de pessoas, empresas e governos. Sem dúvida, é uma área do Direito que está avançando muito ainda por um universo relativamente novo e que ainda possui brechas. Aqui no Brasil, algumas das leis mais importantes são o Marco Civil da Internet, de 2014, e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, de 2018. 

A internet móvel continua a evoluir no sentido de ser mais estável e veloz, com a evolução das conexões mobile, chegando ao 5G. Já estão prevendo para 2030 a chegado do 6G – ainda no campo da teoria. Se, no passado, com a primeira geração (1G), era possível apenas falar com uma outra pessoa, com o 5G, a conexão acontece com coisas. Estamos falando de fábricas, casas inteligentes, carros autônomos… e tudo o mais o que a inovação permitir. É o que chamamos de transformação digital, a qual muitos de nossos clientes já estão experimentando. 

E, para finalizar, cabe um número: no mundo, há cerca de 5 bilhões de usuários conectados à internet. Só no Brasil, são 152 milhões, mas também cabe lembrar que 3 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à rede mundial. Portanto, vale a reflexão de como a nossa sociedade transformou-se rápido, mas ainda manteve enormes desigualdades. Com certeza, a tecnologia pode e deve ser usada para conseguirmos melhores condições de vida para todos.

Michael Lawson

Autor:
Francisco Anes
Senior Sales Director
Cirion, Brasil

 Francisco Anes é Diretor Comercial Sênior da Cirion Technologies no Brasil. Dedica-se à missão de desenvolver e liderar pessoas e compor equipes de alta performance, alicerçadas em valores universais, focadas em garantir as melhores soluções tecnológicas para o sucesso do cliente. Nos últimos 25 anos teve a oportunidade de trabalhar lado a lado com grandes empresas brasileiras e internacionais em importantes projetos de Telecom e TI e se orgulha de ter participado da construção deste mundo tecnológico e conectado em que vivemos. Bacharel em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Nacional de Telecomunicações, Pós-Graduado em Marketing e Administração de Empresas pela FGV e certificado em Foresight – Futures Studies pela W-Futurismo.